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Gasolina vai subir? O subsídio que segura o preço pode acabar — e o que isso muda no seu tanque

O governo sinalizou encerrar o subsídio que segura o preço da gasolina. Entenda o que muda no posto e como decidir entre álcool e gasolina sem chutar.

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Se você abastece no flex, a pergunta de sempre — álcool ou gasolina? — ficou mais cara de errar. O preço da gasolina está sendo segurado por um subsídio do governo, e na quarta-feira (17) ficou claro que esse alívio tem prazo de validade: a equipe econômica indicou que pretende encerrar as medidas de subvenção aos combustíveis se o preço do petróleo estabilizar perto de US$ 80 o barril. Traduzindo: a rede de proteção que está embaixo do seu tanque pode sair.

Vou explicar o que está acontecendo, por que isso mexe no seu bolso e — o mais importante — como tomar a decisão no posto sem depender de achismo.

O que está acontecendo

Três coisas estão se somando ao mesmo tempo:

1. A gasolina já subiu nas refinarias, mas você quase não sentiu. No fim de maio, depois de 122 dias sem mexer no preço, a Petrobras anunciou um reajuste de 18,6% na gasolina A vendida às distribuidoras. Parece muito — e seria. Só que a estatal aderiu ao programa de subvenção do governo, que deu um desconto que derrubou o repasse efetivo para algo perto de 1,5%. Ou seja: o aumento "de verdade" foi absorvido por subsídio, não pelo seu bolso. Esse é exatamente o ponto frágil da história.

2. O petróleo voltou a subir lá fora. A escalada recente tem fundo geopolítico: a tensão envolvendo Irã e Israel colocou em risco o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo. Qualquer ameaça a essa rota pressiona o barril — e o barril é o ponto de partida do preço da gasolina aqui.

3. O governo avisou que o subsídio não é pra sempre. A sinalização desta semana é direta: se o petróleo se acomodar em torno de US$ 80, as medidas de subvenção saem de cena. E é justamente esse subsídio que está mantendo a defasagem da Petrobras longe da bomba.

Por que isso mexe no seu bolso

Aqui está a parte que muita manchete não explica. O subsídio funciona como um teto de impostos federais: o limite da subvenção é de R$ 0,89 por litro, o equivalente ao total de PIS, Cofins e Cide cobrados sobre a gasolina. Enquanto ele existe, parte do reajuste fica "escondida" — não chega no preço que você paga.

Se a subvenção for retirada, o caminho inverso acontece: a parcela da Petrobras no preço final volta a aparecer integralmente. Não é uma certeza, e não dá pra cravar valor nem data — depende do petróleo se comportar como o governo está esperando. Mas a direção é clara o suficiente pra valer a pena ajustar o seu hábito agora, antes de o preço mudar.

E tem um detalhe que joga a seu favor: a gasolina vendida no posto é uma mistura obrigatória de 70% de gasolina A e 30% de etanol anidro. Quando o etanol está barato, ele segura o preço da gasolina C — e te dá uma alternativa direta no flex.

O que dá pra fazer agora: a conta álcool x gasolina

A frota flex brasileira existe pra isso: você escolhe o combustível mais vantajoso a cada abastecimento. A regra de bolso que todo mundo conhece é a dos 70%:

Se o preço do litro do álcool for até 70% do preço da gasolina, o álcool compensa. Acima disso, vai de gasolina.

Exemplo: gasolina a R$ 6,00. O limite é R$ 4,20 (70% de R$ 6,00). Se o etanol estiver abaixo de R$ 4,20, abastece com álcool. Se estiver acima, gasolina.

Só que essa regra é uma aproximação. Ela assume que o seu carro rende cerca de 70% a mais com gasolina do que com álcool — e isso varia de motor pra motor. Carro mais novo e eficiente às vezes empurra esse número pra 73%, 75%. Se você usa a régua fixa de 70% pra tudo, pode estar deixando dinheiro na mesa nos dois sentidos.

O jeito certo é calcular com o rendimento do seu carro e com os preços do seu posto. É uma conta de 30 segundos, mas é chata de fazer de cabeça toda vez — então a gente montou uma calculadora pra isso:

Calculadora Álcool ou Gasolina — você coloca os dois preços (e, se quiser, o consumo real do seu carro em km/l) e ela te diz na hora qual sai mais barato por quilômetro rodado.

Com o subsídio em xeque, vale abrir a calculadora antes de cada abastecimento nas próximas semanas, não a cada três meses. Quando o preço se mexe, a resposta muda.

Perguntas frequentes

Álcool ou gasolina: qual vale mais a pena? Depende do preço dos dois no momento e da eficiência do seu carro. A regra dos 70% serve de atalho, mas o cálculo exato — por quilômetro rodado — é o que dá a resposta certa pro seu caso.

A regra dos 70% sempre vale? Não. Ela é uma média. Carros mais econômicos podem ter o ponto de equilíbrio em 73% ou 75%. Por isso a conta com o consumo real do seu carro é mais confiável do que a régua fixa.

Por que a gasolina tem álcool misturado? Por exigência legal: a gasolina C vendida nos postos é composta por 70% de gasolina A e 30% de etanol anidro. É por isso que o preço do etanol influencia direto o preço da gasolina comum.

A gasolina vai aumentar mesmo? A pressão existe (petróleo em alta) e o subsídio que segura o preço pode ser retirado se o barril estabilizar perto de US$ 80. Mas não há valor nem data confirmados — é um cenário provável, não uma certeza.


Por Letícia Monteiro — QuickEasy Combustível é gasto que você não escolhe ter, mas escolhe quanto paga. Nesse, dá pra ser esperto a cada abastecimento.