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Registros DNS explicados: A, AAAA, CNAME e MX

O que fazem os registros DNS A, AAAA, CNAME e MX, com exemplos práticos e os erros mais comuns ao configurar um domínio.

Registros DNS explicados: A, AAAA, CNAME e MX
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Você comprou o domínio, apontou para a hospedagem e meia hora depois o site ainda não abre. Ou pior: o site funciona, mas os e-mails não chegam, ou abrem só "às vezes". Quase sempre o culpado mora no mesmo lugar — a tabela de registros DNS do seu domínio. Quatro tipos de registro respondem pela maioria dos problemas de quem configura um domínio pela primeira vez: A, AAAA, CNAME e MX. Entender o que cada um faz (e o que ele não faz) economiza horas de tentativa e erro no painel da hospedagem.

O DNS em uma frase

O DNS é a agenda telefônica da internet: ele traduz um nome legível por humanos (exemplo.com) no endereço numérico que as máquinas usam para se encontrar. Quando você digita um domínio, seu computador pergunta a um servidor DNS "qual é o endereço disto?", e a resposta vem de um desses registros. Se você quer o panorama maior — do clique no navegador até a página carregada —, vale ler Como a internet funciona, do DNS ao HTTP; aqui o foco é prático: o que escrever em cada linha da zona DNS.

Pense na zona DNS como uma planilha. Cada linha tem um nome (o subdomínio ou @ para a raiz), um tipo (A, AAAA, CNAME, MX...), um valor (para onde aponta) e um TTL (quanto tempo a resposta pode ficar em cache).

Registro A — o nome vira um IPv4

O registro A (de Address) é o mais fundamental. Ele liga um nome de domínio a um endereço IPv4, no formato 192.0.2.10. É o que faz o navegador saber em qual servidor buscar o seu site.

@      A   192.0.2.10
www    A   192.0.2.10

A primeira linha resolve a raiz (exemplo.com), a segunda resolve www.exemplo.com. Você pode ter vários registros A para o mesmo nome apontando para IPs diferentes — é uma forma simples de balanceamento de carga (round-robin), com o resolvedor escolhendo entre eles.

Registro AAAA — a versão IPv6

O AAAA faz exatamente o mesmo trabalho do A, mas para endereços IPv6, no formato 2001:db8::1. O nome com quatro letras é uma piada interna: um endereço IPv6 é quatro vezes maior que um IPv4 (128 bits contra 32).

@      AAAA   2001:db8::1
www    AAAA   2001:db8::1

Você não escolhe entre A e AAAA — você publica os dois quando o servidor tem suporte a IPv6. O cliente decide qual usar. Esquecer o AAAA não quebra nada para a maioria dos usuários hoje, mas redes que preferem IPv6 podem ter resolução mais lenta sem ele.

Registro CNAME — um apelido para outro nome

O CNAME (Canonical Name) não aponta para um IP — ele aponta para outro nome. É um apelido. Quando alguém pede loja.exemplo.com e existe um CNAME para lojas.plataforma.com, o resolvedor segue a cadeia até chegar a um registro A/AAAA do destino final.

loja    CNAME   lojas.plataforma.com.
blog    CNAME   meublog.servico-de-blog.com.

O CNAME brilha quando o destino é gerenciado por terceiros (CDN, plataforma de e-commerce, GitHub Pages). Se o provedor trocar o IP, você não precisa mexer em nada — o apelido continua apontando para o nome, e o nome resolve sozinho.

Duas regras que pegam todo mundo:

  1. Um nome com CNAME não pode ter nenhum outro registro no mesmo nome. Nada de A, MX ou TXT convivendo com um CNAME na mesma entrada.
  2. Por causa da regra 1, a raiz do domínio (@) não pode ser um CNAME — a raiz é obrigada a ter registros SOA e NS, e o CNAME proíbe coexistência. Para apontar a raiz a um serviço externo, use A/AAAA com os IPs do provedor, ou os tipos proprietários ALIAS/ANAME quando o seu DNS oferecer.

Registro MX — para onde vão os e-mails

O MX (Mail Exchange) não tem nada a ver com o site. Ele diz quais servidores recebem e-mail do seu domínio. Cada MX traz um nome de servidor e uma prioridade (número menor = preferência maior).

@   MX   10   mx1.provedor-de-email.com.
@   MX   20   mx2.provedor-de-email.com.

Aqui o mx1 (prioridade 10) é tentado primeiro; se ele falhar, o mx2 (prioridade 20) recebe. Dois detalhes importantes: o valor do MX deve ser um nome, nunca um IP; e esse nome precisa ter um registro A/AAAA próprio para o e-mail funcionar. O MX só roteia a entrega — autenticação e antispam ficam por conta dos registros TXT (SPF, DKIM, DMARC), que são outro assunto.

Os erros mais comuns na prática

  • Misturar CNAME com outros registros. A causa número um de "o e-mail sumiu": alguém cria um CNAME na raiz, e ele anula silenciosamente o MX que estava ali.
  • Apontar MX para um IP. O painel até aceita em alguns casos, mas a entrega quebra. MX sempre aponta para um nome.
  • Esquecer o ponto final em registros que pedem FQDN (exemplo.com.). Sem o ponto, alguns provedores anexam o domínio de novo e você acaba com exemplo.com.exemplo.com.
  • Achar que a mudança é instantânea. O TTL antigo ainda está em cache. Se o TTL era de 24h, pode levar até um dia para todo mundo enxergar o novo valor. Baixe o TTL antes de uma migração planejada.
  • Confundir www com a raiz. São dois nomes diferentes. Configurar só www deixa exemplo.com (sem o www) fora do ar.

Para checar para onde um registro A ou AAAA está realmente apontando — e a quem aquele IP pertence —, dá para usar nossa ferramenta de informações de endereço IP e confirmar o destino antes de culpar o DNS.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre um registro A e um CNAME?

O A aponta um nome diretamente para um endereço IP numérico. O CNAME aponta um nome para outro nome, que por sua vez resolve para um IP. Use A quando você conhece o IP; use CNAME quando quer seguir um destino gerenciado por terceiros sem se preocupar com mudanças de IP.

Posso usar um CNAME no domínio raiz?

Não pelo padrão. A raiz precisa de registros SOA e NS, e um CNAME não pode coexistir com nenhum outro registro. Para apontar a raiz a um serviço externo, use registros A/AAAA com os IPs fornecidos, ou os tipos ALIAS/ANAME se o seu provedor de DNS suportar.

Preciso de AAAA se já tenho A?

Não é obrigatório, mas é recomendado quando seu servidor tem IPv6. Você publica os dois e o cliente escolhe. Sem AAAA, redes que priorizam IPv6 podem ter uma resolução um pouco mais lenta.

Por que mudei o DNS e ainda não atualizou?

Por causa do TTL e do cache. Resolvedores guardam a resposta antiga pelo tempo do TTL. Se ele estava em 24 horas, a propagação completa pode levar até um dia. Reduzir o TTL com antecedência encurta essa janela.

O que levar deste guia

A, AAAA, CNAME e MX cobrem quase tudo que um domínio precisa: A e AAAA colocam o nome no espaço de IP (IPv4 e IPv6), CNAME cria apelidos que seguem destinos gerenciados, e MX roteia o e-mail. Memorize as duas restrições do CNAME — nada coexiste com ele e ele não vive na raiz — e lembre que MX aponta para nome, nunca para IP. Com isso, a maioria dos "o site não abre" e "o e-mail não chega" deixa de ser mistério e vira uma linha errada na tabela, fácil de achar e corrigir.

RD
Autor
Rafael Duarte
Desenvolvedor backend com passagem por fintech e SaaS B2B — trabalhou em times que escalaram APIs de zero a milhões de requisições. Carrega cicatrizes de produção suficientes para ter opiniões fortes sobre ferramentas, padrões e decisões de arquitetura. Não é acadêmico: leu a RFC do UUID quando precisou escolher entre v4 e v7 para uma tabela de alta escrita.
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