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Como registrar um domínio e escolher um bom nome

Registrars, TLDs, critérios de nome e DNS básico: o que saber antes de comprar um domínio — e os erros que custam meses de trabalho depois.

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Registrar um domínio parece trivial até você passar uma hora tentando achar um nome que não esteja tomado, descobrir que o .com do nome perfeito pertence a um squatter que quer U$3.000 por ele, e acabar comprando um .io porque "parece tech". Acontece com a maioria. O processo tem mais nuance do que o botão "Registrar" sugere.


Como funciona o registro de domínio

Domínios são gerenciados por uma hierarquia de organizações. No topo está a ICANN, que delega a administração de cada TLD (Top-Level Domain) para registros específicos. O .com é gerenciado pela Verisign. O .br pela Registro.br. O .io pela Internet Computer Bureau de Seychelles — sim, é literalmente o domínio oficial de uma ilha no oceano Índico.

Você não compra um domínio da ICANN. Você contrata um registrar — uma empresa acreditada pela ICANN que faz a intermediação. O registrar escreve seu nome no banco de dados do registro autoritativo e mantém os registros DNS. O que você paga anualmente é, essencialmente, o aluguel dessa entrada no banco.

Isso tem uma implicação prática importante: você pode transferir seu domínio entre registrars a qualquer momento (com raras exceções). Não há lock-in técnico, só burocracia eventual.

Qual registrar usar

A diferença real entre registrars não está na tecnologia — o domínio registrado no Registro.br funciona igual ao registrado na Namecheap. A diferença está em:

Preço de renovação, não de registro. Muitos registrars cobram U$1-3 no primeiro ano e U$18-25 na renovação. O preço de registro é marketing; o de renovação é o custo real. Confira sempre os dois antes de registrar.

Interface de gerenciamento de DNS. Você vai alterar registros DNS mais vezes do que imagina — adicionar registro SPF para email, CNAME para um subdomínio de staging, TXT para validar SSL. Uma interface de DNS ruim é dor de cabeça recorrente.

Suporte técnico. Quando um domínio expira por acidente ou você precisa transferir com urgência, suporte bom vale o preço. Registrars que só têm chat bot são problema esperando para acontecer.

Registrars que uso ou que recomendo com confiança: Namecheap (boa relação custo-benefício, interface decente), Cloudflare Registrar (cobra o preço de custo sem margem, zero upsell, integra com os nameservers deles), Registro.br (obrigatório para domínios .br, interface melhorou bastante nos últimos anos).

Evite: registrars que empacotam o domínio com hospedagem obrigatória, cobram pelo acesso à conta EPP (necessária para transferência), ou dificultam a saída.

Escolhendo um nome de domínio

Esta é a parte que mais gente subestima. Algumas regras que aprendi na prática:

Curto supera criativo. Um domínio de 12 letras que você pronuncia em uma sílaba vale mais do que um nome "criativo" de 20 letras que ninguém soletra igual. Tente falar o domínio em voz alta sem explicar a grafia — se você precisar soletrar, o nome já perdeu.

Evite hífens. minha-ferramenta.com é praticamente inviável para tráfego direto. Ninguém lembra onde colocar o hífen. Se o nome sem hífen está tomado, considere um TLD diferente antes de aceitar o hífen.

Evite números. tool4devs.com e tools4devs.com são dois domínios diferentes que causam confusão perpétua. A ambiguidade entre "4" e "four" é gratuita.

O .com ainda domina. Fora de nichos específicos (.io em tech startups, .gov.br para órgãos públicos), o .com tem vantagem de memorização e percepção de credibilidade. Se o .com está tomado e o dono não quer vender por preço razoável, considere mudar o nome antes de aceitar o .net do mesmo nome.

TLDs alternativos que funcionam: .io é aceito no mundo tech; .co funciona para empresas globais; .dev é ótimo para ferramentas de desenvolvimento (requer HTTPS, o que é forçado por preload HSTS). .com.br para negócios locais brasileiros. Os novos gTLDs como .app, .tools, .shop podem funcionar, mas exigem mais esforço de branding.

Palavras com dupla escrita afunilam erros. garantia vs garantia. cheque vs cheque. Se o nome do seu domínio tem uma palavra que as pessoas grafam de formas diferentes, registre as variantes também.

DNS básico: o mínimo que você precisa entender

Depois de registrar o domínio, você vai configurar registros DNS. Os tipos que você vai usar com mais frequência:

A — mapeia um domínio ou subdomínio para um endereço IPv4.

exemplo.com.   A   203.0.113.42

AAAA — mesmo que A, mas para IPv6.

CNAME — apelido para outro nome. Usado para www apontar para o domínio raiz, ou para subdomínios apontarem para serviços externos (Vercel, Netlify, Heroku).

www   CNAME   exemplo.com.
blog  CNAME   meusite.netlify.app.

Atenção: CNAME no apex (exemplo.com sem subdomínio) não é permitido pela RFC. Se você usa Cloudflare, eles têm um workaround proprietário chamado CNAME Flattening. Outros registrars não têm — você precisa de um registro A com IP direto.

MX — define os servidores de email para o domínio. Sem isso, seu domínio não recebe email.

TXT — campo livre de texto. Usado para verificação de domínio (Google Search Console, provedores de email), registros SPF, DKIM.

NS — define quais nameservers são autoritativos para o domínio. Quando você muda de registrar ou usa Cloudflare para DNS, você muda os registros NS.

TTL (Time to Live): quantos segundos os resolvers DNS externos podem cachear um registro. Para mudanças planejadas (migrações de servidor, troca de IP), reduza o TTL para 300 segundos com antecedência. Para registros estáveis, TTL alto (86400 = 1 dia) reduz carga e latência.

Domínio registrado — e agora?

Dois erros que vejo com frequência após o registro:

Não configurar renovação automática. Domínios que expiram são problema sério. Se o domínio está em uso por um produto real, habilite renovação automática e mantenha o cartão de crédito do registrar atualizado. A janela de recuperação depois da expiração existe, mas envolve taxas extras e potencial de downtime.

Deixar o domínio no nameserver do registrar sem motivo. Registrars oferecem DNS como serviço adicional, não como produto principal. A interface de DNS deles costuma ser mais limitada e o desempenho, inferior. Para a maioria dos casos, mover os nameservers para Cloudflare (gratuito, rápido, interface excelente) é a decisão certa logo após o registro.

Transferindo um domínio

Se você precisa mover o domínio para outro registrar, o processo envolve:

  1. Desbloquear o domínio no registrar atual (há um lock de transferência por padrão)
  2. Obter o código EPP (também chamado de Auth Code ou Transfer Key) — uma senha de transferência
  3. Iniciar a transferência no novo registrar usando esse código
  4. Aguardar a confirmação por email (até 5 dias úteis, na prática costuma ser menos)

Domínios .br têm um processo diferente via Registro.br — use o sistema de Autorização de Transferência deles.

Para verificar o estado atual dos nameservers e registros de um domínio, uso o IP Address Info quando preciso cruzar informações de lookup com o endereço que o DNS está resolvendo — especialmente útil durante migrações, quando o TTL ainda não propagou e você quer confirmar o que cada resolver está vendo.

Perguntas frequentes

Posso perder meu domínio se esquecer de renovar?

Sim. O processo tem fases: primeiro o domínio expira (fica inativo mas ainda é seu), depois entra em período de "graça" onde você paga uma taxa extra para recuperar, depois vai para "redemption" com taxa ainda mais alta, e finalmente é deletado e volta a ficar disponível para qualquer um. O tempo de cada fase varia por TLD. Para .com, o ciclo completo desde a expiração até a disponibilidade pública pode levar 80 dias, mas não conte com isso — ative renovação automática.

Qual a diferença entre registrar e registro?

Registrar é a empresa que você contrata para fazer o registro — Namecheap, Cloudflare Registrar, Registro.br. Registro (ou registry) é a organização que mantém o banco de dados oficial de um TLD — Verisign para .com, Registro.br para .com.br. Você interage com o registrar; o registrar interage com o registro.

Domínios .io vão sumir quando Chagos for transferido ao Mauritius?

É a pergunta de tech Twitter de 2024. O domínio .io pertence ao Território Britânico do Oceano Índico (BIOT). Com o acordo de transferência da ilha de Chagos ao Mauritius, tecnicamente o BIOT deixa de existir, o que poderia fazer o .io ser descontinuado como ccTLD. Na prática, a ICANN tem precedente de manter TLDs de países extintos por anos (.su da União Soviética ainda existe). O .io provavelmente vai continuar por décadas — mas se você está construindo algo que precisa de longevidade de marca, o risco não é zero.

Preciso registrar todas as variações do meu domínio?

Para a maioria dos projetos independentes, não. Para produtos com tráfego real e marca estabelecida, registrar o .com + .com.br (se o público é brasileiro) + variações com erros comuns de grafia vale o custo, que é baixo. O objetivo não é proteger todos os TLDs — é cobrir os casos em que um usuário vai parar em lugar errado.

Nome certo, registrar certo, DNS entendido

A decisão de domínio é permanente de formas que decisões técnicas raramente são. Você pode migrar banco de dados, trocar framework, reescrever API — mas mudar o domínio de um produto com tráfego real é meses de redirects, atualização de links externos e perda de SEO acumulado.

Vale gastar uma hora escolhendo bem antes de registrar, em vez de gastar meses depois convivendo com a escolha errada. Domínio bom é aquele que ninguém precisa perguntar como escreve.

RD
Autor
Rafael Duarte
Desenvolvedor backend com passagem por fintech e SaaS B2B — trabalhou em times que escalaram APIs de zero a milhões de requisições. Carrega cicatrizes de produção suficientes para ter opiniões fortes sobre ferramentas, padrões e decisões de arquitetura. Não é acadêmico: leu a RFC do UUID quando precisou escolher entre v4 e v7 para uma tabela de alta escrita.
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